Imprensa Semanal

Rela??o Fran?a-áfrica complica-se com morte de Déby

áudio 06:44
Emmanuel Macron, Presidente francês, no Chade durante o funeral de Idriss Déby Itno.
Emmanuel Macron, Presidente francês, no Chade durante o funeral de Idriss Déby Itno. ? AFP - CHRISTOPHE PETIT TESSON

O destaque desta revista de imprensa semanal vai para a rela??o entre o Executivo francês, encabe?ado pelo Presidente Emmanuel Macron, e os países africanos do Sahel, isto após a morte de Idriss Déby, Presidente do Chade.

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?Sahel: Sem Déby, a Fran?a perante o risco de queda da muralha chadiana?, é o título escolhido pelo semanário ?L’Express? para abordar o que consideram como um sismo geopolítico.

A publica??o lembra que Idriss Déby, durante 30 anos, tinha uma rela??o especial com Paris e ele próprio tinha anunciado: ?Depois de mim, será o caos?, é o que sugeriu o agora antigo Presidente do Chade.

A Fran?a ficou agora sem o seu aliado africano preferido, a pe?a chave do esquema visando lutar contra o terrorismo. O ?L’Express? afirma aliás que a chegada ao poder de Idriss Déby teve a ajuda de Paris. E a troca de servi?os continuou ao longo dos anos. Em Fevereiro de 2019 o Executivo francês enviou os seus avi?es de combate para bombardear os rebeldes no Norte do país, salvando o ?Soldado Déby?.

A publica??o recorda também que a opera??o ?Barkhane? está implementada no Chade desde 2014 e conta com cinco mil e 100 homens.

A Fran?a n?o quer perder a sua influência na Regi?o e o Governo mal se inteirou da tomada de posse do filho de Idriss Déby, Mahamat Idriss Déby, n?o fez qualquer comentário apesar dessa tomada de posse ser contrária à Constitui??o. O que prevalece para Paris é a estabilidade do país, esperando que este peso pesado n?o caia numa guerra civil.

Na mesma tónica está o ?Courrier International? com o título: ?Após a morte de Idriss Déby, o caos??. A publica??o lembra que o agora antigo Presidente chadiano deixou um país pobre e com a capital amea?ada pelos rebeldes.?

Após a morte de Idriss Déby, as for?as armadas anunciaram que haveria um Governo de transi??o que se deveria manter no poder durante 18 meses sob a lideran?a do filho do antigo Presidente, uma decis?o contrária à Constitui??o visto que ela prevê elei??es 24 dias após o falecimento do líder do país, que seria dirigido interinamente pelo Presidente da Assembleia Nacional, o que n?o aconteceu.

O ?Courrier International?, na sua análise do país, recorda que o Chade ocupa actualmente o lugar número 187 em 189 países no índice mundial do desenvolvimento humano.

A publica??o termina o seu artigo com dois factos: Emmanuel Macron estava no centro das aten??es durante o funeral de Idriss Déby e a Fran?áfrica perdeu um soldado numa regi?o em que o terrorismo está presente.

A nossa revista de imprensa semanal continua com outros assuntos abordados nas demais publica??es francesas.

?Capacetes Azuis para salvar a Total em Mo?ambique??, eis a pergunta que se coloca a revista ?Jeune Afrique?.

A empresa petrolífera francesa, Total, pediu uma interven??o urgente para lutar contra a insurrei??o islamita para que o mega-projecto de gás em Cabo Delgado possa continuar a ser construído.

Para o analista do ‘Economist Intelligence Unit’, Nathan Hayes, a Total espera que a situa??o melhore com o apoio das for?as governamentais mo?ambicanas, elas próprias apoiadas por for?as internacionais ou até de organiza??es militares privadas.

Segundo vários analistas, a comunidade internacional está perante duas solu??es: abandonar Cabo Delgado ou admitir que o Governo mo?ambicano é demasiado fraco para lutar sozinho contra a insurrei??o.

Quanto à Total, para Nathan Hayes, a empresa francesa vai retomar as opera??es apenas em 2023, se a situa??o estiver mais estável, para come?ar a explora??o do gás em 2026 ou 2027.

?O genocídio e as omiss?es francesas?, eis o título do artigo ?L’Obs?. Para a publica??o, o relatório oficial, realizado por historiadores, aponta responsabilidades pesadas à Fran?a no genocídio ruandês de 1994. Esse documento acaba por p?r fim à nega??o francesa sobre o assunto, mas também permite ilibar as autoridades francesas de qualquer cumplicidade. No entanto, ainda subsistem zonas de sombra.

A publica??o recorda uma entrevista realizada por um jornalista da redac??o em que um antigo militar francês, cujo nome no artigo é ?Jean-Louis?, afirma que receberam ordens para matar os ‘tutsis’, participando no genocídio, aliás esse antigo militar lembrou que numa ?opera??o secreta? foi enviado para uma zona com inimigos em que, perante os tiros, se defendeu e matou, para ele, crian?as que ?nem sequer tinham 15 anos?.

Por fim, numa grande investiga??o levada a cabo pela revista, a publica??o afirma que apesar do relatório, muitos documentos desapareceram dos arquivos das autoridades francesas.

Na revista ?Le Point?, a capa é dedicada ao ?jihadismo anti-polícia?. A morte de Stéphanie Monfermé em Rambouillet acabou por ser o 18° atentado contra as for?as policiais francesas desde 2012.

Ainda em Fran?a, a revista católica ?La Vie? aborda a polémica em torno da constru??o de uma mesquita em Estrasburgo com o título ?os turcos da Alsácia, entre o Rio Reno e o Bósforo?. A polémica nasceu da subven??o que ia receber a mesquita de cerca de 2,5 milh?es de euros, votada pela camara municipal. O problema é que a Presidente da Camara, Jeanne Barseghian, foi acusada de apoiar o islamismo e de repudiar a sua bisavó, sobrevivente do genocídio arménio. Perante estas acusa??es, a Presidente da Camara informou que a Confedera??o Islamica Milli G?rüs renuncia a essa subven??o. Este assunto mostra a actual tens?o entre a Fran?a e a Turquia.

é o ponto final nesta revista de imprensa semanal.

Imprensa Semanal 01-05-2021 MM

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